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natureza cúbica

 

OAPs são Objetos de Aprendizagem Poética que Sofia inventa, coletando sobras, pequenos pedaços de madeira em canteiro de obras. O que faz uma mulher num espaço masculino? E Sofia os corta, perfura, empilha e dobra, recicle em seu pequeno ateliê de marcenaria, um quartinho nos fundos da casa de mainha, todo um Nordeste popular e afetivo já aí contidos. O ateliê da artista é um espaço vivo, que se contradiz aos destroços das madeiras, dos canteiros de obras de homens, espaço que contém as florestas que foram e que insistem, recriando vida com a chegada das lagartas que criam seus casulos em meio a seus destroços, e eclodem no voo das borboletas.

 

Sofia brinca de recriar florestas, tornando flexíveis a rigidez do tronco, tornando geométricas as florestas invisíveis que sustentam a cidade modernista.

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Sua arte é lúdica e interativa, serve para dançar e para brincar; e serve para pensar e para chorar pelas matas caídas, serve para causar espanto: como pode uma pessoa árvore, um ser milenar, caber na palma da mão?

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Cada dobra dura uma assemblagem, uma árvore. Cem dobras duras uma floresta, um políptico, uma policultura. Sofia flexibiliza o que originalmente não se enverga, aquilo que quebra. Tronco vira corpo, movimento, com as dobras maleáveis e suas fissuras, seus veios e veias, seus entremeios, sua selva, seu sangue. Como mulher.

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Sofia adota florestas.

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Texto: Lélia Lofego

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